Mestre Galo Preto – O Embaixador do Coco

Ano passado a convite de meu amigo Nelson Alves, fomos  fazer uma matéria sobre a homenagem que a cidade de Bom Conselho estava prestando ao seu ilustre filho Tomaz Aquino, mais conhecido como Galo Preto.

Cantador, coquista, embolador, repentista e muito mais , Mestre Galo Preto é considerado patrimônio Cultural de Pernambuco, uma lenda viva, cantante e dançante desta terra tão musical que é a Terra dos Altos Coqueiros.

A bordo de uma Picape 4×4 volteamos à cidade natal de nosso homenageado,impregnada do clima carnavalesco em pleno mês de fevereiro, e fizemos as imagens que ora apresentamos.

Particularmente, conhecer Mestre Galo Preto e ouvi-lo narrar suas aventuras e desventuras num clima de emoção também ocasionado pelo recente aniversário dele de 81 anos, outro motivo da festa, foi algo de raro valor para mim.

São esses momentos ao lado dessas figuras marcantes, gente de talento, mestres de notório saber, patrimônios vivos e sobretudo seres humanos talhados pela dura realidade da vida, que tenho a oportunidade de tecer com os fios dessas histórias meus caminhos por essa terra tão valiosa e hospitaleira.

Salve, Mestre Galo Preto, Salve o Coco e toda sua ancestralidade presente em seus improvisos, Salve Pernambuco.

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Olavo Adolpho O Griot Pernambucano

Ainda não tinha escrito nada sobre Olavo porque queria encontrar uma palavra que conseguisse expressá-lo com mais exatidão além de demonstrar meu agradecimento por tudo que aprendo quando o ouço falar apaixonadamente por toda sorte de assuntos, entre esses, literatura, música,poesia, história deste país e universal, geografia, fauna, flora, artes, pessoas, coisas, bichos e sobretudo por pernambucanidade.

Com prosa envolvente e capaz de reproduzir páginas e mais páginas de romances, declamar a boa literatura de cordel de memória, ele representa bem a figura de um Griot, esse que segundo a tradição africana é o detentor, o possuidor do dom da oralidade.

Seria o nosso contador de histórias, aquele que sempre está lendo dois, três livros ao mesmo tempo, e sempre tem assuntos interessantes para nos contar, sobre isso me disse certa feita que era um notívago e voraz leitor, lendo em média de 100 a duzentas páginas por noite.

A memória prodigiosa, como já dissemos, é algo que me espanta sempre que o encontro, por conta dela não perco nada do que fala, sempre que posso aponto minha câmera e vou gravando , gravando e fazendo o que me propus de agora em diante, conhecer pessoas e me confraternizar com a doce alegria dos que não pedem nada para viver e que fazem da vida, diariamente, uma grande festa.

Você é nosso convidado e nosso griot é um desses anfitriões que nos fazem continuar acreditando no ser humano.

Aos poucos, vocês o conhecerão melhor, fiquem com o vídeo que é uma verdadeira aula de história e arte.

RennatSaid

Os Milagres dos Ex-Votos

Santuário de Canindé na cidade de mesmo nome no estado do meu querido Ceara, uma terra onde o poder da fé não possui limites. La na Basílica de Sao Francisco o testemunho dos milagres em forma de Ex-votos pendurados pelas paredes.

Fotos de homens, mulheres e bichos, cabeças, pés, mãos, seios, pernas , todos simbolizando um graça alcançada, um encontro com o divino.

A imagem de Sao Francisco das Chagas de Canindé faz a ligação mistica entre os dois reinos e as pequenas oferendas das partes dos corpos antes adoentadas ,confeccionadas rusticamente, nos dão a dimensão do que a fé das romarias pode alcançar.

A fe dos homens e mulheres que move e movimenta uma região inteira, energiza e se comunica , alimenta e sobretudo inspira vidas, o que mais podemos querer.

Nao ha espaço para duvidas e incredulidades, se você levar na mala, na mente, no coração um pouquinho de fe, pode ter certeza de que  a terra fértil de religiosidade de Canindé, embora seca pelo causticante sol cearense, lhe abençoara e levara sua mensagem através de Sao Francisco das Chagas de Canindé diretamente aos ouvidos do criador.

 

Mingau de Cachorro

Em seu pitoresco livro “Conselhos, Comidas e Remédios para levantar as Forças do Homem, o pesquisador popular Liêdo Maranhão já trazia uma série de caldos e comidas que segundo a sabedoria popular levantavam até cadáver, dada às sustâncias e ingredientes envolvidos em seu preparo, bem como porque são consideradas comidas fortes, eis um depoimento do saudoso Microfone (barraqueiro do mercado de São José, colhido por Liêdo no livro acima:

“ Esse pessoal chama de comida forte, aquela comida que passa muitas horas para se dissolver no estômago. Ele come de manhã charque com farofa e vai até duas horas da tarde com a comida no estômago sem se dissolver… Aquela comida quando cai no estômago vazio, parece que o estômago diz: “ Lá vem ferro! Lá vem aterro! “ Parece que no estômago tem escrito : “Precisa-se de aterro”.

O mingau de Cachorro aqui preparado por Seu Fernando possui inúmeras receitas , dependendo da cozinheira e do gosto do freguês, a do nosso entrevistado é apenas uma entre tantas, o importante é ,como bem disse nosso cozinheiro, o ponto, se deixar passar , vai virar pirão.

Quanto ao lado afrodisíaco desse popular caldo que só conheci quando cheguei por essas bandas pernambucanas, no livrinho acima, tem um engraçado registro de Lula Bigode (ambulante do Mercado de São José) :

“Tem que deixar  ele amornar um pouco na barriga pra peiar  o bascuio.

Seu Manoel  mesmo (antigo vendedor de Mingau de Cachorro) diz, quando chega uma pessoa para comer o mingau:

“Se o suor não descer e o pau não subir, não paga.”

Como se vê, estava mais do que certo o escritor alemão  Friedrich Schiller, quando afirmava :

“Toda existência humana decorre do binômio estômago e sexo. A fome e o amor governam o mundo.”

Mas não precisa saber nada disso pra degustar o mingau de cachorro, quem não tomou ainda não sabe o que está perdendo.

RennatSaid

ISAC VIEIRA – O ESPADACHIM DAS CORES

 

Eis o Recife luminoso e colorido de Isac Vieira …
Eis o Teatro Santa Isabel assistindo impávido e orgulhoso seu retrato…
A tarde com seus solares raios e o rio cujas águas mansas e corredeiras espreitam
a cena  também reclamam suas presenças na tela.
Tudo é contemplado numa imagética poesia escrita pela veloz e espiritual
espátula do artista.
Assim, entardece a cidade e suas imagens dentro dos olhos de Isac, através
dos impressionistas traços feitos de tinta e pernambucanidade.
Assim, se transforma em prece o amor do artista pelo Recife tão dilacerado e
abandonado nos atuais dias.
Eis a minha cidade, eis o meu mundo, eis o meu sonho e minha terra.
“Pernambuco, imortal, imortal”

Isac Vieira – Cores da Sobrevivência e das Festas

A série Sertão – Cores da Sobrevivência do artista plástico Isac Vieira nasceu sob coordenação do Mestre Hélio Soares, foi ele que através de sua grande experiência na arte da litografia iniciou Isac nos mistério da Pedra Litográfica. Escolhida para ter imagens impactantes que expressassem a dor, a luta, a terra e sobretudo a árdua sobrevivência do nordestino, cada litogravura expressa uma história cujo enredo compõe um fio condutor que expressa bem a resiliência do homem do sertão.

Tive a oportunidade de ver nascer cada um desses desenhos,fui testemunha dos traços precisos que riscavam a pedra como quem arasse e revolvesse a terra em busca das covas precisas ora para enterrar o gado,ora para plantar sementes, mas sobretudo para erigir uma coleção de dez litogravuras que entrarão para a história da litogravura do estado de Pernambuco.

Nessa exposição, onde estão além das litografias, também há espaço para as cores das festas, dos ritmos que embalam a alma e os passos do pernambucano pintados em belos quadros pelo artista Isac Vieira.

Um convite para os olhos.