Ferro de Engomar

Ferro de Engomar

Texto dedicado especialmente ao meu grande amigo Campinense

 Raimundo Gomes Melo Filho, cujo pai, Deus o tenha,

 foi também um frequentador do Ferro de Engomar.

 

Há quem acredite em coincidências, prefiro acreditar em encontros pré-agendados por forças superiores e incompreensíveis, cuja energia cósmica existente em nós realiza o resto.

Senão, vejamos, como uma fortuita viagem à Campina Grande onde estive somente duas vezes na vida me levaria ao bar Ferro de Engomar onde tive o prazer de conhecer em poucas horas, dezenas de boêmios além de aprender muito sobre a cultura campinense e uma de suas principais incentivadoras: Eneida Maracajá, cuja homenagem já está gravada  em uma belíssima canção de autoria de Jozildo Chaves e que será a música dos Foliões do Ferro neste carnaval de 2016.

Essa grande confraria chamada Ferro de Engomar, hoje dirigida pelo Senhor Edinaldo existe desde a década de 50, quando funcionava como mercearia, comandada à época pelo pai dele.

Hoje se transformou num misto de bodega e bar onde se reúnem amigos em torno de uma boa música, jogando conversa fora e transformando o lugar num ambiente acolhedor e pra lá de pitoresco.

O nome Ferro de Engomar vem da arquitetura do prédio e segundo soube, era comum esse tipo de construção num formato que lembra muito o desenho desses antigos objetos, aqui mesmo, no Recife, em pleno marco zero, também temos nossos ferros de engomar, os quais não foram transformados em bar, uma pena.

Quando pus os pés lá dentro e comecei a observar as descontraídas conversas, os fartos sorrisos e toda aquela camaradagem de pessoas  fiquei sem acreditar no que via, pois tinha-se a impressão de estar numa grande festa, num aniversário cujo bolo era o tira-gosto sobre as mesas e o aniversariante seria a própria Campina Grande presente no rosto daqueles homens de feições amigas e alegres.

Não me fiz de rogado, o melhor era conhecê-los e aproveitar a festa, foram surgindo os nomes, Edinaldo, William, Miro, Lúcio, Jozildo e alguns apelidos Padaria,Fofão, este nos presenteou com uma belíssima e descontraída canção que vocês poderão apreciar durante o vídeo.

“Ei , teu nome é Ei”  alguém em tom de pilhéria parecia me chamar insistentemente no meio da algaravia, acompanhado por William Cascho fui conhecendo um a um, mas o melhor ainda estava por vim: o inusitado concurso do serrote.

Feito anualmente, em eleição democrática, o referido pleito elege o serrador anual, aquele que beliscou e comeu gratuitamente pelas mesas o maior número de tira-gostos e bebeu, às custas alheia, a maior quantidade de “Jureminha” , cachaça local, e outros líquidos alcoólicos, sem gastar nada com isso.

Assim eleito, o ganhador ainda é homenageado com um troféu cujo símbolo é um serrote que fica pendurado nas prateleiras do bar do Sr. Edinaldo.

A tal eleição já anda pelo sexto ano e meu cicerone de apresentações, Willian, era o atual campeão, mas segundo as más línguas, o maior serrador  do lugar era o próprio dono do bar, que logo se prontificou em desmentir, dizendo ser intriga e brincadeira dos serradores de plantão.

Após conhecer as minúcias do concurso, ouvir Fofão cantando, acompanhado por Jozildo no violão e outros amigos na percussão, fizemos algumas fotos de despedidas , e partimos com a certeza de que terei de retornar em breve à acolhedora confraria do bar do Ferro de Engomar, visto que, hoje, já me considero, pretensiosamente, um pouco campinense.

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