Biu do Carro – Nazaré da Mata

Acho que foi Nelson Cavaquinho que em uma de suas belas composições disse que pelos olhos das mulheres via a própria idade, se estiver enganado quanto a autoria me perdoem pela memória.
No nosso caso se você que está lendo este texto já brincou com um Rói-Rói ou já fez um Mané Gostoso dar piruetas ,com certeza, posso lhe garantir que você já passou dos quarenta.
Agora se você nem sabe o que é um desses dois brinquedos e por seus dedos só rolaram teclados de computador, tablets ou Iphone de última geração não se desespere porque felizmente ainda existe gente como seu Biu do Carro de Nazaré da Mata fabricando e dando vida a esses divertidos, originais e centenários brinquedos populares do Nordeste que ainda fazem a alegria de crianças e aguçam a memória dos adultos que tiveram a oportunidade de manuseá-los.
Segundo o Dicionário da Diversidade Cultural Pernambucana o rói-rói é de origem indígena e era instrumento cerimonial entre algumas etnias.
Sua etimologia é onomatopeica, pois ao ser girado produz um som que se transcreve foneticamente pelo dito nome rói-rói.
Todavia nas mãos das crianças o zumbido produzido pelo brinquedo é sinônimo de alegria e algazarra.
Quanto ao Mané Gostoso outrora recebia o nome de mamulengo e era personagem do Bumba-meu-boi que se apresentava sobre pernas de pau.
Na tradicional feira de São Severino dos Ramos onde conheci seu Biu, feita em torno da igreja localizada no município de Paudalho a qual atraí milhares de devotos todos os anos, quase não existem mais brinquedos de tradição popular, praticamente tudo foi substituído por mercadoria chinesa, que vai de óculos e relógios a outras quinquilharias que os orientais fabricam e como uma praga da economia moderna tomam as feiras, ruas e calçadas das cidades do Brasil.
Até o próprio Mané Gostoso já sofre a influência da mídia e para garantir o sustento de seu criador aceitou humilhantemente se travestir de Pica-Pau para chamar mais fácil a atenção da meninada.
O Rói-Rói e seu som continuam o mesmo mas a sintonia entre o presente e o passado parece que anda desafinado.
Ainda bem que contamos com pessoas que mesmo se equilibrando na tênue linha da sobrevivência se dedicam a preservar brinquedos que pela simplicidade lúdica encantaram gerações e não possuíam botões de liga-desliga.
Que viva a tradição popular e Parabéns para seu Biu do Carro.

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