Joca de Bacurau

Herança dos povos indígenas o uso de ervas na cura de doenças foi enriquecido e aperfeiçoado com a inclusão das tradições africanas e europeias na arte de tratar doentes.
A sabedoria popular tratou de se apropriar desse conhecimento e transmiti-lo ao longo dos séculos pelos interiores do Brasil e principalmente no Nordeste brasileiro onde ainda é muito forte o uso de garrafadas e unguentos no tratamento de moléstias e servindo em alguns casos até mesmo para tratamentos espirituais.
Atualmente a fitoterapia , nome dado à medicina que lida com as plantas medicinais ainda possui muitos adeptos e crentes fervorosos do seu poder curativo, o qual na maioria das vezes é comprovado cientificamente anos após o uso popular já ser consagrado.
No Mercado de São José, no bairro de mesmo nome, no centro do Recife, há inúmeros comerciantes que vendem ervas medicinais ou preparados conforme o gosto do freguês.
Ali o pesquisador Liedo Maranhão fez seu escritório diário e escreveu diversos livros entre eles “Marketing dos camelôs de remédios ou o mundo da camelotagem” onde está a história do trágico acontecimento da facada que vitimou o vendedor de meizinhas Bacurau, pai de Joca, deixando-o tetraplégico.
Joca de Bacurau, nosso protagonista, aprendeu o ofício com seu pai e ainda hoje faz vários tipos de remédios, pomadas, garrafada com 21 qualidade de plantas com invejável conhecimento do principio ativo de cada erva “,..serve para inflamação dos rins, do fígado, da próstata, problema de gastrite ,úlceras e principalmente para esgotamento físico e fraqueza sexual…” é o popular viagra engarrafado.
E sem medo da concorrência, ele ainda dá os ingredientes da legítima garrafada sertaneja, quixaba, aroeira branca, jatobá, o angico, a Marapoama , raiz de catingueira rasteira, catuaba sertaneja, espinheira santa, coxim amarelo, unha de gato, raiz de urtiga branca, bodo, anis estrelado, macela do reino, e ensina o modo de fazer e usar eis a bula: sem álcool, sem açúcar, feita com extrato de jurubeba e as plantas, a pessoa faz ela, deixa-a curtir por três dias e pode começar a usar, dois cálices por dia , um de manhã outro à noite, quando terminar o líquido repor com água mineral ou vinho branco.
Evidente que ficaram algumas ervas faltando na receita, o pulo do gato, que Joca não é bobo para dar a fórmula para qualquer um.
Na sua farmácia popular ainda tem a Banha do peixe boi da Amazônia, pomada da copaíba, óleo do peixe elétrico, óleo da gerimataia, cascas de ervas que servem para curar segundo ele dezenas de dores e males e por fim a pomada chinesa também usada contra dores mas atualmente adquirida com fim de afrodisíaco.
Depois da aula de fitoterapia que tivemos e da certeza que falei com um profissional da verdadeira medicina popular, resta-nos assistir ao vídeo e ver o ser humano simples, humilde e cativante que Joca transmite através de seu conhecimento, riso e fala.
Fiz mais um amigo no Recife e a partir de hoje mais um médico, e quanto a pomada chinesa, como diz um dos personagens de Liedo Maranhão: tô precisando “ de leve” , valeu Joca, Deus te guie!

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