Caldácio – Um lugar onde tudo acontece

A título de curiosidade, o presente curta teve uma gestação de aproximadamente um ano, foi realizado sem recursos e da forma mais artesanal possível.

A paisagem urbana do fim da tarde, do corre-corre das cinco horas parece indiferente, apenas parece, porque ela compõe um dos cenários mais efervescentes do centro do Recife, o Caldácio, localizado na rua da saudade.
E dessa matéria de dores e sonhos que se veste a rua diariamente eis o proprietário do lugar, um misto de chef de cozinha sofisticada e popular, garçon , poeta, artista, músico, caixa, distribuidor de galanteios ou como ele próprio costuma dizer, “um acasalador”.
Resumir o Daciel em uma ou muitas palavras é complicado, ele parece ser o reflexo de quase todos os seus clientes que chegam um a um no afã de saborear um caldinho e degustar uma aguardente.
Atraídos pela excelente culinária, esses anônimos (taxistas, bancários, policiais civis, militares, gráficos, desempregados, músicos etc) e alguns famosos a exemplo de Claudio Assis, Lirio Ferreira, Miró, Cinval Coco Grude, Ivano etc) tornam-se fregueses contumazes do Caldácio, seja pela excentricidade do idealizador, seja pelos próprios tira-gostos que quase sempre são pedidos:
Galinha com as sete pragas do Egito ; Costelinha ao molho de madeira; Lingua ao molho de madeira, Bacalhau, Dobradinha, Caldinho de feijão e o mais delicioso de todos, o Caldinho de Vaca Atolada.
Quase todas essas iguarias levam o sabor suave da pimenta de cheiro, além do Know pessoal do Chef Dácio, aprendizado esse que ele aprimorou por vários anos trabalhando invisivelmente ( na cozinha) em diversos restaurantes finos do Recife até resolver abrir o seu próprio negócio.
Imaginar como um homem com tudo o que foi dito acima atender a cerca de sessenta, oitenta, cem pessoas sozinho numa sexta-feira, passar troco, anotar pedidos, servir os tira-gostos, colocar um whisk, uma cana, conversar, lavar pratos e copos, fazer limpeza de mesas, além de outras dezenas de atividades não tem preço, alías, tem um preço bem popular por quase tudo que é cobrado no Caldácio.
Dessa forma é praticamente impossível não se tornar fã, freguês, amigo do Daciel que entre essas mil qualidades e tantos outros defeitos de ser tantos em um só, possui a generosidade de distribuir caldinhos e bebidas algumas vezes gratuitamente aos mendigos, passantes e querer apenas ser feliz como o mais desconhecido de seus clientes.
O Caldácio é uma festa a ceu aberto, talvez o mais democrático espaço criado no Centro do Recife nos últimos tempos e se isso ainda fosse pouco dizer, é um dos pouquíssimos espaços da cidade onde se pode ouvir Raul Seixas, Luis Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Bob Dylan, Cinval Coco Grude, Reginaldo Rossi, Elvis, Nação Zumbi e tantos outros ritmos pernambucanos e do mundo.
Com a palavra o Daciel e uma de suas frases mais proclamadas:
“Chama o Samu, A Casa Caiu”
Parabéns, Dácio, que o Caldácio tenha vida longa.

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3 comentários em “Caldácio – Um lugar onde tudo acontece

  1. Dacio merece essa homenagem! O Dias, com sua visão de repórter, resgata os artistas de nossa cena popular.
    Um cara que acredita ter sido um grande presente ter conhecido Liedo Maranhão, mecece nosso respeito! Parabéns!
    Cândido

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